Do hype à margem: o que o morango cravejado ensina sobre transformar trends em negócio 

Viralizar pode colocar um produto diante de milhares de consumidores em poucos dias. Para transformar atenção em resultado, porém, os confeiteiros precisam correr na mesma velocidade para calcular custos, definir preços e encontrar formas de diferenciação

São Paulo, setembro de 2026 – Em apenas 11 dias, os pedidos de morango cravejado em uma plataforma de delivery cresceram 1.053 vezes. O fenômeno, que começou a viralizar por volta do dia 20 de agosto, atingiu seu pico no fim do mês e mostra a velocidade com que uma receita pode deixar as redes sociais para entrar na rotina de consumo.

A busca pelo termo também disparou: segundo dados do Google Trends, o interesse por “morango cravejado” cresceu 5.000% em uma semana. No iFood, somente entre 25 e 26 de agosto, os pedidos avançaram 111%, enquanto o número de unidades aumentou 113%.

O fenômeno não é isolado. Em 2025, o morango do amor também mostrou como uma tendência nas redes pode rapidamente se transformar em consumo: os pedidos pelo produto no delivery passaram de 11 mil em junho para 275 mil em julho, crescimento superior a 2.300%.

Para quem trabalha profissionalmente com confeitaria, esses movimentos representam uma oportunidade, mas também um desafio. A velocidade da viralização exige velocidade de decisão. Entrar em uma tendência pode ajudar a atrair novos consumidores e movimentar as vendas, mas o entusiasmo precisa ser acompanhado por uma análise mínima de viabilidade.

“Lançar rapidamente permite aproveitar o momento de entusiasmo e curiosidade do consumidor antes que a novidade se torne saturada. Mas velocidade não pode significar improviso. É importante entender o custo da receita, o rendimento, a capacidade de produção e o preço que o consumidor está disposto a pagar”, ressalta Jonatas Fróes, Gerente de Comunicação da Harald.

A precificação é um dos pontos mais importantes e também um dos que mais podem comprometer o resultado. O valor de venda não deve considerar apenas ingredientes como chocolate, leite condensado e frutas. É preciso contabilizar perdas, rendimento, mão de obra, energia, embalagem, taxas de plataformas e margem de lucro.

No caso do morango cravejado, essa atenção é ainda mais importante porque os preços encontrados no mercado apresentam diferenças significativas. Levantamentos publicados sobre a tendência apontaram unidades entre R$13 e R$30, dependendo da receita, apresentação e estabelecimento.

“Uma mesma receita pode ter preços diferentes de acordo com a região, o público e a proposta do negócio. Por isso, olhar apenas para o preço do concorrente pode ser um erro. O confeiteiro precisa conhecer seus próprios custos e entender qual valor faz sentido para o posicionamento do produto”, explica Jonatas.

O tamanho do mercado ajuda a dimensionar essa oportunidade. Segundo a ABIP, o setor de panificação e confeitaria reúne mais de 330 mil empresas e movimentou R$164,12 bilhões em 2025. Nesse cenário, acompanhar mudanças no comportamento do consumidor e identificar novas oportunidades de consumo pode ser estratégico para os negócios. 

“O desafio é muito maior do que identificar qual será a próxima receita viral. É fundamental conseguir identificar quais tendências podem gerar mais vendas, margem e relacionamento com o consumidor”, explica Jonatas.

O morango cravejado pode até perder espaço para a próxima novidade das redes sociais, mas segundo Fróes, a lição permanece. “Em um mercado cada vez mais influenciado pela velocidade das tendências, transformar viralização em resultado será sempre o grande desafio. Isso significa criatividade para lançar e disciplina para fazer conta em qualquer receita viral”, finaliza.


Conheça a Harald
Fundada em 1982, a Harald é uma das principais empresas brasileiras especializadas em desenvolver soluções que impulsionam o mercado profissional de alimentos. Com forte atuação na confeitaria e presença crescente no food service, a companhia combina conhecimento técnico, inovação e qualidade para atender às necessidades de empreendedores, operadores e indústrias de diferentes portes.

Seu portfólio reúne marcas reconhecidas como Unique, Melken, Inovare, TOP, Confeiteiro e Fortunata, oferecendo soluções para aplicações doces e salgadas que contribuem para a produtividade, a padronização e a performance das operações profissionais. Desde 2015, a Harald integra a Fuji Oil Co., grupo global de alimentos com forte atuação em ingredientes e inovação.

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