Calculando o preço dos produtos: valorize seu trabalho!

O cálculo do preço dos produtos é uma das maiores dificuldades de quem está começando no mundo do “faça e venda” e até de profissionais experientes, porém é muito importante ser meticuloso: dá trabalho nas primeiras vezes, mas, uma vez que você pega o jeito, o processo se torna mais fácil e você garante a venda por um preço justo e a sua margem de lucro.

Primeiramente, é importante diferenciar os conceitos de custo, preço e valor. Custo é tudo aquilo que você efetivamente gasta para produzir e vender: matéria-prima, embalagem, mão de obra, energia elétrica, gás, transporte etc. Preço é o custo adicionado da sua margem de lucro, que será definida por você. Já o valor está relacionado à percepção do seu cliente, à experiência que você proporcionará a ele e ao sentimento que o produto despertará.

Assim, apesar de diferentes, os três conceitos estão interligados e influenciam um ao outro: quanto maior o seu custo (por exemplo, por usar matérias-primas premium), maior será o preço, mas também será maior o valor que o cliente enxergará no produto. O segredo está em definir um público-alvo e, com base nele, a matéria-prima a ser usada: um público mais popular, que enxerga valor no custo-benefício, aceitará melhor produtos mais baratos; já o público das classes A e B dá mais valor à qualidade e à exclusividade, mesmo que o preço seja superior.

Após definir a receita, é hora de calcular o custo. O primeiro passo é listar a quantidade de cada ingrediente. Em seguida, com base no preço que pagou pela embalagem do produto, calcule o custo da quantidade que você usou por regra de 3. Por exemplo, se você usou 210 g de chocolate Melken e pagou R$ 45 pela barra de 2,1 kg:

45 ———- 2100 g (use sempre a mesma unidade para fazer o cálculo)

X ———— 210 g

X = 210 x 45 / 2100 = R$ 4,50

Faça isso com todos os produtos para descobrir o custo com matéria-prima da receita. Por fim, divida o valor total pelo rendimento da receita. Se você gastou 100 reais para uma receita que rende 50 unidades, o seu custo é de R$ 2 por unidade.

Em seguida, adicione o custo da embalagem. Por exemplo, se você vende unidades de ovo de Páscoa em caixinhas de acetato, basta adicionar o preço de cada embalagem ao custo com matéria-prima. Porém, se você vende brigadeiros e compra a embalagem com 100 forminhas, divida o preço do pacote por 100 e adicione o resultado ao custo unitário com matéria-prima.

O próximo passo é calcular sua mão de obra: isso significa o seu salário, independentemente do lucro (imagine que, se você contratasse um funcionário, ele receberia por isso). Defina o salário almejado e o divida pelos dias trabalhados por mês; o resultado você divide pelas horas que costuma trabalhar por dia, chegando assim ao seu valor/hora. Depois, multiplique esse valor pelo tempo que você leva para preparar a receita. Por exemplo, se você calculou um valor/hora de R$ 9, e leva 3 horas para preparar a receita, a sua mão de obra para ela é igual a R$ 27. Se a sua receita rende 100 unidades, sua mão de obra por unidade será igual a R$ 0,27.

O último cálculo é o dos custos indiretos. É o mais complicado, por isso é mais comum usar um valor aproximado: uma receita como a de brigadeiro poderia ter os custos indiretos aproximados como 10% dos custos com ingredientes. Se a sua receita necessitar de mais utensílios ou mais tempo de forno/fogão, ou se você compra a sua matéria-prima em uma loja muito longe da sua casa, ou se você aluga o espaço no qual trabalha, essa porcentagem pode ser maior.

Liste todos esses valores em uma tabela como esta:

Quantidade Preço de mercado (preço da embalagem) Gestão (coluna com os valores efetivos para a receita)
Ingrediente 1 R$ P1 R$ I1
Ingrediente 2 R$ P2 R$ I2
Ingrediente 3 R$ P3 R$ I3
Custo matéria-prima total R$ MPT
Custo matéria-prima unitário R$ MPU
Custo embalagem unitário R$ EU
Custo mão de obra unitário R$ MOU
Custos indiretos (10% de MPU) R$ CI
Custo unitário total R$ CUT

É sobre o custo unitário total (CUT) que você vai calcular seu lucro, chegando ao preço. Uma margem comum é 100% (multiplicar o CUT por 2), mas outras margens podem ser usadas ‒ recomenda-se que ela nunca seja inferior a 50%.

Uma prática comum é determinar o preço por “comparação de tabela”, o que significa verificar o preço da concorrência e, com base nisso, definir o seu. Contudo, como pudemos observar, são muitos os fatores envolvidos no cálculo: o seu concorrente pode usar produtos mais baratos, ou comprá-los durante ofertas (diminuindo o custo com a matéria-prima); ele pode ser menos experiente, calculando por isso um salário menor; ou as embalagens usadas por ele podem ser de materiais mais simples. Por isso, a recomendação é que você calcule os seus custos e deixe a comparação entre as tabelas, se for o caso, para o momento de acrescentar a sua margem de lucro. Assim, você saberá o valor mínimo que poderia vender para não ter prejuízo.

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